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A origem da disposição


Pelo que estou disposto?
Pergunta feita ontem, mas com resposta vindoura. Como não posso diretamente respondê-la hoje, tento pensar na fonte da disposição, pois se esta for confiável, então o necessário será confiavelmente providenciado no devido tempo.

Talvez antes eu preciso responder algumas perguntas àqueles que não conhecem meus pressupostos: por que estou interessado na fonte, afirmando vir de uma fonte externa? Não estaria a fonte da disposição em mim mesmo e em minha vontade?
A resposta é um não bem claro e forte. Ainda que completamente compelido sentimentalmente a dizer que a fonte da disposição se encontra na minha enorme vontade, sou ciente de que a vontade é falha e corrompida, me tornando incapaz de abrir mão do meu eu em prol de outrem de forma confiável. Portanto, parto do pressuposto que não sou naturalmente disposto a enfrentar os desafios propostos, apenas desejo as vantagens trazida pelo cumprimento dos mesmos, baseando minhas ações apenas em uma forma egoísta e volátil de satisfação e que, quando ela deixar de ocorrer, facilmente abriria mão de qualquer coisa em nome de mim. Como poderia eu confiar na minha própria disposição de lidar com os enormes presentes e responsabilidades, conhecendo meu estado natural? De onde, inclusive, vem a disposição e capacidade de reconhecer está minha miserabilidade?
Uma outra pessoa, em uma outra ocasião e cultura, já tinha a resposta:
O SENHOR é a minha luz e a minha salvação; a quem temerei? O SENHOR é a força da minha vida; de quem me recearei?
Salmos 27.1
Mas quem é este de quem o autor fala? Por que o autor se põe em risco, conhecendo a sua incapacidade, de dizer que a luz, salvação e força da vida vem de outro, vem dEle?
Ó Senhor, Senhor nosso, quão admirável é o teu nome em toda a terra, pois puseste a tua glória sobre os céus!
Salmos 8:1
Diante desta realidade, algumas dúvidas surgem: quem sou eu para que este Deus, diante da minha incapacidade, se agrade em me dar forças? Porém, o que seria eu se Ele não fizesse isso? Teria algum "eu" para usar o verbo "ser"?
Talvez o próprio exagero da desconfiança ao considerar a minha incapacidade seja ofensivo a Deus.
Pois Deus não nos deu espírito de covardia, mas de poder, de amor e de equilíbrio.
2 Timóteo 1:7
Reconhecendo tudo isso, reflito mais uma vez pela minha busca pela fonte da disposição. Onde estaria a fonte da disposição transcende a natureza humana para além do seu egoísmo? Noto que este Deus que afirma a si mesmo como confiável, afirma ser o autor inclusive da nossa capacidade de confiar nEle. Tudo inicia e termina nEle e conforme Ele deseja. Ou seja, o meu reconhecimento pessoal de que a fonte da disposição é Ele também é providência dEle.
Portanto, com bastante certeza posso afirmar que não tenho, originada em mim, disposição para nada além do meu egoísmo, mas através dEle é que disponho-me a todas as coisas pelas quais Ele assim me conceder. Confiando nisto, posso ter a esperança de seguir a caminhada rumo ao lar, onde não serei mais estrangeiro e a vida será plenamente abundante.

A você, caro leitor, quero deixar claro que este não é um texto de auto-ajuda. Enfatizo mais uma vez a tua incapacidade de procurar a luz por si. Você não é capaz de vencer a si mesmo e plenamente vencer as suas falhas. A mensagem aqui é sobre a esperança de que, mesmo em meio a nossa indignidade, Ele venceu e decidiu fazer pecadores herdeiros de sua vitória, trocando os corações deles, para que se tornassem novos homens, tirando a pedra e colocando carne.
De que é feito o seu coração?

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