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O apaixonado da madrugada.

Estou apaixonado.
Por quem?
Não, essa não é a pergunta certa. Não há ninguém para responder. Apenas uma daquelas ondas sentimentais disparadas por alguma imagem, lembrança, sensação ou momento. Se é apenas isso, por que estou escrevendo sobre?
Estamos chegando mais perto da pergunta certa. Sozinho em casa aproveito a doce sensação sentimental que olhar alguém com quem ainda me importo (mesmo que desconheça disso) traz. Eis uma desvantagem do compartilhamento geral da informação. Ninguém nunca está longe mesmo que queira estar. Sempre haverá um momento em que estarão perto. Peso todas as alegrias e tristezas causadas pelo meu inconstante sentimental. Gostaria que fosse diferente.
Entendo que para vencer isso, estou como uma criança em aprendizado. O aprendizado real é a solidão e a suficiência daquEle que decide me manter vivo. Não é um caminho constante  e tranquilo. Nestes poucos meses de aprendizado mais forte, tropecei inúmeras vezes. Algumas quedas mais feias que outras e, mesmo sempre voltando para pedir perdão, ainda não entendo como que ainda sou perdoado. Compreender e aceitar isso é também parte do aprendizado.
Entendo que a busca por acelerar um velho sonho vai estranhamente tirando o valor real dele dentro de mim. Cada tentativa frustrada gerada pela minha própria pressa causa desesperança. Desde as pequenas tentativas que não saem de dentro de minha mente até aquelas que, ao tentar expressar, vejo que não são reais.
Tudo bem. Estou sozinho. Devo estar. A única forma de realizar aquele sonho e não viver sozinho é estar sozinho agora. Mas, ainda sim, o dilema inicial segue: estou apaixonado. Me sinto apaixonado.
A forma com que eu lido com esse sentimento é o que muda as coisas. Toda a vez que lido de forma errada algo erado acontece por minha culpa. Normalmente esse sentimento se transforma em algo ruim e desaba, pois foi construído na areia. Decido realizara  escolha mais difícil de manter: preservo o sentimento. Tento, mesmo com todas as minhas falhas, me aproximar mais dEle. Me aproximar daquEle que, independentemente de que eu sou ou o que eu faço, me ama incondicionalmente e conhece cada um dos sentimentos existentes dentro do meu coração. Guardarei estes sentimentos para ela. Não sei se já a conheço ou não, ao estar solitariamente bem, estarei também pronto para estar apaixonado de verdade, mais do que esta simples sensação. Quanto tempo? O suficiente até esta pergunta parar de ser repetidamente feita em minha mente. Até que a desesperança deixe de ser relevante.
Boa noite.

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